sexta-feira, 11 de abril de 2008

o tempo não pára - Cazuza



Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando uma agulha num palheiro
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára
Cazuza

sábado, 5 de abril de 2008

melancolia fadada


deu-se em fado o manel. não por descobrir sua alma lusa. essa já a tinha e sabia. mas por se dar á melancolia. dessa que moi cá dentro. dessa que desperta as mágoas passadas. que faz explodir o peito e rasgar a carne. que faz os olhos razos de água e a voz em nó na garganta.
deu-se em fado triste e ritmado. ao ritmo do coração partido.
deu-se em fado viajado. daqueles que se parte para mais tarde voltar.
deu-se em pesadelo e agonia. insónias. apatia.
deu-se por fim em ódio e soldado de armadura.
jurou não mais se dar...jurou não mais...
como a dor e o amor se confundem por andarem de mãos dadas. parece que a tal melancolia tem por nome maria...
haja paciência para o medo de repetir o risco...

domingo, 30 de março de 2008

Mãos cheias de nada


como se fosse fácil viver com quase nada. olhar em volta e ver vazio. caminhar sozinho em estrada deserta.
como se fosse fácil galgar as pedras do caminho. respirar a aridez da vida.
como se fosse fácil trazer o rosto tisnado de suor e lágrimas. cansado de labuta e mágoas. mal tratado de fome e cansaço. como se fosse fácil...
de repente ao vermos que parece fácil, somos nós, que vivemos sem pensar em quase nada, que ficamos envergonhados por achar díficil viver com quase tudo...
ai compreendemos que somos sozinhos no caminho...
Haja paciência para quem fica vazio para os outros...

terça-feira, 25 de março de 2008

Fados

lisboa vive no fado. nas pessoas que se arrastam. que se seguem. nos bairros tipicos. nos gatos aos parapeitos. nas varinas de canastra.

lisboa vive no fado. nos santos. nos marialvas. nas tascas. no jaquinzinho. no bairro alto. na maresia. no santo antónio. nas calçadas. nas avenidas. nos monumentos. nas ruas e vielas. no tejo. no cristo rei.
o fado vive e respira. tem rosto.rostos. tem voz. vozes. tem almas...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Presente passado


como cada gota de água que corre nos rios sem sequer parar um segundo a sentir as margens. assim somos nós. no minuto futuro já não somos presente. já somos passado. tudo o que fazemos teve impacto agora mesmo. neste presente futuro que é já... o passado da humanidade...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

S. Valentim - O Dia do Amor


Durante o governo do imperador Claudius II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Claudius acreditava que os jovens se não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentine e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.

Valentine foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C.


Viver em prol do amor. morrer por acreditar no amor. amor - tão simples e tão complexo. nem sempre se encontra ao virar da esquina. mas porque quando viramos as esquinas estamos mais preocupados em não bater com a cabeça na parede...


Haja paciência para o medo de amar...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Recomeços

Quando a tristeza nos abraça. o céu escurece. a terra assombra-se. os rios param a contemplar as margens. o mar deixa de desaguar contra as rochas. a natureza sustem a respiração e aguarda... aguarda que a nossa alma se recomponha. que a tempestade passe. que chegue a bonança. e com ela a esperança. assim, quando ela chega, a tristeza solta-nos dos braços. a nossa alma abre os olhos para a vida e todo o ciclo é recomposto. os rios seguem o seu curso. o mar volta ás suas correntes. a natureza volta a respirar vida. a tristeza serve para isto. para nos dar novo folêgo. para nos preparar para o que tem de vir... o resto da vida. o recomeço a cada abraço...


Haja paciência para o medo de chorar...